Monday, August 07, 2006

Sede de Sangue

Uma história de terror


A noite estava quente e úmida. Nem a leve brisa que soprava do mar conseguia aliviar o calor que estava sentindo, mas ela não se importava. Gostava do calor que fazia no fim da primavera, apesar do odor quase insuportável das flores silvestres. Ela não gostava de flores, apesar de seu companheiro nutrir um interesse especial por algumas espécies. Algo que ela não compreendia, mas de certo modo respeitava. Já tinha vivido o bastante para saber que havia gosto pra tudo nesse mundo.
Inspirando profundamente, ela deixou-se erguer pela brisa e ganhou altura no dorso de uma corrente ascendente. Não havia nada melhor do que cavalgar as correntes de ar, ela pensava, deixando-se levar em direção ao mangue. Era hora da caça, e ela sempre conseguia encontrar uma vítima incauta na margem de um dos inúmeros canais que fluíam em direção ao mar.
Não tardou para que sua busca lograsse êxito. Na margem de um canal, um pescador preparava-se para lançar a tarrafa. Os olhos apertados perscrutavam a água escura em busca de indícios da presença de algum robalo desatento, ou qualquer outro peixe. Na verdade ele não tinha preferência pela espécie de peixe. Estava apenas se divertindo, depois de uma semana intensa de trabalho.
Ela pairou um pouco acima dele, mas o homem não percebeu sua presença. Sofregamente aspirou seus odores, pois gostava de sentir o cheiro de suas vítimas antes de atacar. Podia perceber resquícios de nicotina e álcool no sangue dele e isso não lhe agradava, mas estava faminta. Não podia esperar mais.
Quando armou o bote, ouviu o som de passos de alguém que se aproximava. Era uma mulher que vinha ao encontro do homem. Maldizendo aquela presença incômoda, interrompeu o ataque e voou ao seu encontro, um pouco acima dela. Era uma mulher ainda jovem, aparentando não ter mais de 30 anos pela escala de tempo dos humanos.
O cheiro dela a agradou e, ao contrário do homem, o sangue da mulher não tinha vestígios de substâncias estranhas à sua natureza. Rodeou-a e se aproximou por trás de seu pescoço. Ao perceber a carótida da mulher pulsando compassada e cheia de vida, sentiu que começava a salivar descontroladamente. Sua fome, urgente e monstruosa, precisava ser saciada. Aproximou-se do lóbulo da orelha direita e preparou o ataque. Contudo, antes de desferi-lo ouviu a vibração do ar. Não houve nem tempo para tentar uma manobra evasiva.
Plaft! Foi o som que ela não ouviu quando deixou de existir.
- 0 que foi? – Perguntou o homem à mulher.
- Nada! São esses malditos mosquitos. Ainda vai demorar muito?
- Não. Vamos embora que hoje não é meu dia.
O homem recolheu a tarrafa e foi ao encontro da mulher. Os dois caminharam em direção ao carro e, momentos depois, foram embora.

5 comments:

Alessandra Trindade said...

Hauhuahuahua...Adorei!!!! O detalhe do ataque ficou muito bom e "o som que ela não ouviu quando deixou de existir", perfeito! Parabéns!!! Bjos

angela said...

oie
sou eu, Angela, do orkut XD
esse seu texto eh mt bom!^^
eu tb tenho um blog =)
vou deixar o link ;]
***;

wilsonrocha said...

Como já tinha dito lá no orkut, muito bom... e inteligente tambem!
Nossa imaginação vai por um caminho e, nos finalmentes, vc nos leva para outros...
Parabéns!

Luiza said...

heuhiueheiu
beem massá
mosquinha assassina
:P
Beeijo ;*

Vinícius said...

haushuahusahsauhhusauh'
Você sabe como fazer uma estória de humor. Fantástica. Parabéns, amigo.