Subitamente, sem que ele
pudesse esboçar qualquer reação, é banhado por um facho de luz e perde a
consciência. Acordou horas depois, deitado num divã. Estava num
aposento circular, sem portas aparentes. Tinha apenas uma janela de
formato oval. Não havia qualquer som perceptível, mas ele podia sentir
uma ligeira vibração. Isso lhe dava uma sensação estranha, como se
estivesse num carro em movimento. Ainda confuso, aproxima-se da janela e
se assusta com o que vê. Na imensidão escura do outro lado ele vê o
reflexo azul da Terra e se emociona, ao perceber que o seu mais
delirante sonho se tornou realidade.
Thursday, June 23, 2016
Wednesday, May 25, 2016
Saturday, May 21, 2016
Sob o Olhar das Estrelas Capítulo 6
Aquela noite foi de
total sintonia entre eles, algo que já não acontecia há algum tempo e,
por isso mesmo, estava carregada de presságios que se concretizariam em
algum momento crucial em suas vidas.
Enquanto apreciava a
visão encantadora da nudez de Letícia, Daniel se perguntava se já não
tinha tudo para ser feliz. Era uma pergunta pertinente, que ele
repetiria para si como um mantra, na noite seguinte e nos dias que se
seguiriam. Apesar da decisão que se impôs, para não perder Letícia, sua
determinação seria duramente testada pelos acontecimentos que estavam
por vir.
Wednesday, April 13, 2016
Sob o Olhar das Estrelas - Cap. 5.
Naquela
noite Letícia foi deitar-se com toda sorte de dúvidas em sua cabeça. Apesar de
ter defendido Daniel ante às palavras ferinas proferidas por sua mãe, ela não
estava imune às dúvidas que seu relacionamento suscitava. A única certeza que
tinha era que havia um limite para o que podia suportar. E esse limite estava
perigosamente próximo.
Por
entre a cortina entreaberta, ela podia ver a noite estrelada. Entre as estrelas
que
Tuesday, March 29, 2016
Sob o Olhar das Estrelas - Cap. 4
Ao
anoitecer do dia seguinte, o ufólogo Daniel já se encontra em Florianópolis,
hospedado no hotel mencionado na reportagem. Depois de se acomodar, ele desceu
ao saguão, com a intenção de encontrar alguém que tenha realmente presenciado a
aparição do OVNI.
Apesar
da ansiedade em chegar ali, de repente toda a sua expectativa se esvaziou. Em
seu íntimo, Daniel temia decepcionar-se mais uma vez e, pela primeira vez em
anos de procura, ele sentia que não tinha nenhuma pressa em checar aquela
ocorrência.
- Eu
sabia que ia encontrar você aqui! – Disse uma voz conhecida atrás dele.
Era
Paulo Botelho, um companheiro eventual em suas aventuras como caçador de OVNI.
Wednesday, March 02, 2016
Sob o Olhar das Estrelas - Cap. 3
Para os
desafetos de Daniel na repartição, aquela manhã se arrastava de tal modo, que
parecia não acabar. Para alguns, a pouca disposição para o trabalho se refletia
na percepção do tempo e o resultado disso era um imenso tédio. Sem nada de relevante
para fazer, Fábio e Andrade se ocupavam de seu passatempo predileto: falar dele
pelas costas.
Estavam tão
entretidos na extenuante tarefa de tecer comentários jocosos a respeito do
colega esquisito, que quase não notaram a entrada do chefe na sala.
Thursday, February 25, 2016
Sob o Olhar das Estrelas - Capítulo 2
As pessoas do
círculo mais próximo de Letícia evitavam tocar no assunto, mas intimamente se
perguntavam a razão dela insistir naquela relação. Ela mesma se perguntava isso
algumas vezes, principalmente quando instigada por sua mãe. A resposta sempre
lhe vinha imediata e sem nenhuma dúvida: ela o amava. Daniel não era exatamente
um príncipe encantado, mas tinha suas qualidades, ela dizia para si mesma. Ele até
que era bonito, se ela ignorasse as roupas fora de moda e esquisitas. Era também
engraçado, e sabia fazê-la rir por motivos que sempre a surpreendiam. Sua
inteligência e cultura a encantavam. O
que mais uma garota podia querer? Talvez se fosse um pouco menos desligado e
tivesse uma noção mais apurada de uma noite romântica, ele seria perfeito. Mas
ela sabia que não se pode ter tudo e se conformava.
Sob o olhar das Estrelas - Capítulo 1
Sem nuvens no
céu escuro, a noite oferecia uma oportunidade excepcional para ele. As estrelas estavam
lá, como joias brilhantes repousando no veludo escuro da Via Lactea. Talvez algo
interessante acontecesse e tivesse a sorte de ter sua luneta apontada na direção
certa. Mas ele não estava sozinho. A garota que o acompanhava tinha outras
ideias sobre o que fazer numa noite apenas pela luz das estrelas.
- Pô! Daniel. Até
quando vai querer ficar aí, olhando para cima?
Ele olhou para ela e
sorriu ao contemplar seu belo rosto com expressão indignada. Às vezes não entendia
porque Letícia lhe tinha tanto afeto, mas dava graças a Deus todos os dias por
isso. Sem ela, a terrível solidão que consumia sua alma seria insuportável.
- Só mais um pouco,
tá?
- Nós já estamos aqui
há três horas. Você não se cansa disso?
Friday, February 19, 2016
Thursday, October 29, 2015
A Costela de Adão
Certo dia, no Paraíso, Adão acordou com o seu
par de neurônios em curto-circuito e percebeu que estava só. Para onde quer que
ele olhasse, só via animais. Bestas sem alma, que nem sequer sabiam existir.
E por não haver nenhuma criatura semelhante a
ele, Adão entrou em crise existencial e foi para debaixo da macieira matutar
sobre sua desdita. Foi aí que apareceu o arcanjo Gabriel, a quem cabia zelar
pela ordem no Jardim do Éden. Nada que saísse de sua confortável rotina lhe
escapava. Gabriel era, por assim dizer, o síndico do condomínio.
- E aí, Adão? O que é que tá pegando? –
Perguntou o arcanjo, ao ver Adão pensativo, duro como uma estátua de Rodin.
O homem soltou um suspiro, sem saber por onde
começar, para explicar o que lhe magoava por dentro. O fato é que, cansado da
dura vida de funcionário público, e de conversar com animais que nada lhe
respondiam, resolveu pensar num modo de dar um fim à pasmaceira geral que
dominava a sua, até então, breve existência.
- Tava aqui pensando... – Começou ele.
Marcadores:
A Costela de Adão,
Contos e crônicas
Wednesday, October 21, 2015
Sebo - Clássicos Jacksons
Clássicos Jacksons
Preço R$ 14,00 por volume. Consulte condições para aquisição de todo o lote.
Entrega em domicílio na Região Metropolitana de Florianópolis. Para outras regiões, despesa postal por conta do comprador.
Anais – Tácito
Cartas - Vieira
Ciropédia - Xenofonte
Contos – Tchecov
Divina Comédia 1 - Dante
Divina Comédia 2 – Dante
Dom Quixote 1 -
Cervantes
Dom Quixote 2 - Cervantes
Ensaístas Americanos
Ensaístas Ingleses
Estudos Literários
Fausto – Goethe
Geórgicas/ Eneida – Virgílio
História 1 - Heródoto
História 2 - Heródoto
História da América Portuguesa – Rocha Pitta
Ilíada - Homero
Lendas e Narrativas – Herculano
Macbeth/ Rei Lear - Shakespeare
Moralistas Espanhóis
Minha Formação – J. Nabuco
Nova Flores – Bernardes
O Gênio do Cristianismo
1 - Chateaubriand
O Gênio do Cristianismo – J. Nabuco
Orações - Cicero
Os Lusíadas – Camões Volume VII
Paraíso Perdido – Milton
Pensadores Franceses
Pensadores Italianos
Poesias
Poesias 2
Quadros da Natureza 1 - Humboldt
Quadros da Natureza 2 – Humboldt
Sátiras/Os Fastos – Horácio/ Ovídio
Seleções – Voltaire
Teatro Francês
Teatro Grego
Teoria Política – Rui Barbosa
Viagens de Gulliver – J. Swift
Friday, October 02, 2015
Noites Sombrias
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Contos e crônicas,
erotismo,
Horror,
humor,
Sobrenatural
Thursday, June 18, 2015
O Caso da Loura Traída - Parte 5
A
sequência de fotos, embora não mostrasse nada explícito, atestava o adultério
de forma inquestionável. Pensei que seria suficiente para o cliente, contudo
Analú convenceu-me a esperar pelo melhor, segundo ela. Não tardou para que o
casal chegasse às vias de fato, de pé, entre os carros estacionados.
Confesso
que fiquei desconfortável em permitir que minha assistente “dimenor”
presenciasse aquilo. Analú, por sua vez, não perdeu tempo em questionamentos
morais e ficou bem animadinha. Pegou a câmera de minha mão e ajeitou-se no meu
colo em busca de um ângulo melhor da minha janela. A danadinha conseguiu
fotografar os momentos mais quentes, enquanto se remexia sem parar.
Tuesday, April 14, 2015
Oficina de Criação Literária
Friday, January 30, 2015
Lembranças
Depois desse tempo sem nos vermos,
vamos fingir que nada aconteceu,
e que meus lábios nunca tocaram os teus.
Vou fingir também que não é de ti o cheiro que ficou em mim.
Então devolva o meu coração, que você nunca quis de verdade. Porque aí, já é apropriação indébita.
Vou tentar me desfazer de cada fragmento doído, os estilhaços que ainda
teimam em permanecer no coração.
Não quero mais guardar mágoas e ressentimentos
pois isso não me faz melhor.
Suponho que tenhas te voltado à noite acolhedora de teus anseios, e de sonhos
que não me cabe realizar.
E que isso deva te fazer feliz,
mas por favor, leva contigo os dias felizes, cujas lembranças ainda me ferem.
E não finjas que não tens nada a ver com isso.
Antes de ti eu não era feliz
Mas também não tinha esse olhar triste e cansado
Que vejo no espelho.
Friday, October 24, 2014
O Caso da Loura Traída - Parte 4
Depois da visita ao banco, Entrei num
botequim e pedi um cafezinho. Precisava por os pensamentos em ordem para dar
conta das duas investigações, sem que uma entrasse em conflito com a outra.
Contudo, não era só isso que requeria minha atenção. Algo me incomodava desde
que saí do escritório, e não adiantava tentar enganar a mim mesmo. A figurinha
de Kafka vibrando suas antenas não me saía do pensamento. Isso sempre acontecia
quando eu fazia algo que não devia ter feito. A barata era meu grilo falante,
por assim dizer, e não me deixava esquecer nada, até que tomasse uma atitude.
Saturday, October 18, 2014
O Caso da Loura Traída - Parte 3
Apertei sua mão e sentei-me na cadeira com a
expressão mais arguta que eu pude demonstrar, na suposição de que era isso que
alguém esperava encontrar ao entrar no escritório de um detetive. Meu
provável novo cliente, entretanto, limitou-se a fitar com um olhar taciturno algum ponto na parede
atrás de mim. Esperei que Kafka não estivesse em sua costumeira caminhada
matinal pelas paredes da sala.
- Então, a quê devo a honra de sua visita? –
Perguntei de chofre, com a voz de James Cagney em “Fúria Sanguinária”. Aparentemente ele não conhecia o ator, pois
sua expressão não se alterou.
Thursday, July 24, 2014
Entrevista com Branca de Neve
Mas apesar da dificuldade, conseguimos encontrá-la. Ei-la, para o deleite de seus inúmeros fãs, espalhados pelo mundo ao longo do tempo.
Para minha surpresa, depois de caminhos tortuosos e, também, inúmeras
tentativas no Google, minha entrevistada foi encontrada bem perto de
onde moro, aqui em Floripa. Pensando bem, isso nada tem de
surpreendente. Florianópolis se tornou, ao longo dos anos, um sonho de
consumo para aposentados e profissionais de todas as áreas em fim de
carreira. Tanto, que a ilha se tornou uma pequena babel de idiomas e
sotaques, com predominância de gaúchos e argentinos. Algum preconceito?
Não, não. São todos bem vindos, mas ainda bem que os hermanos não
conseguiram passar pela Alemanha. Seria a gota d’água na paciência do
manezinho.
Sunday, June 01, 2014
O Caso da Loura Traída - Parte dois
Depois de acomodá-la na cadeira em frente à escrivaninha, dei a volta sem muita pressa e sentei-me, com os olhos fixos em algum ponto situado entre seus graciosos olhos. Era uma tentativa de não deixar meu olhar escorregar para o decote generoso que ela ostentava. Devo dizer que eu merecia um prêmio pela fleuma que consegui exibir.
- Qual é o caso? - Perguntei de chofre, com a melhor imitação que consegui fazer de Hemphrey Bogart, mas duvido que ela saiba quem ele tinha sido. Nem todos se tornam especialista em filmes antigos da sessão da tarde, como eu.
- Desconfio que meu marido anda me traindo e quero que o senhor confirme isso. Pode ser?- Disse ela num fôlego só, incluindo a pergunta. Sua linda voz rouca soava fria como o gelo boiando no meu Johnnie Walker, comprado de um muambeiro do Paraguai.
- Sem problema. - Respondi depois de pigarrear. Não conseguia imaginar alguém traindo aquela mulher, a menos que fosse um gay enrustido, ou um jogador de futebol.
Meu primeiro cliente era uma loura linda, que parecia ter saído direto de um filme noir. Era difícil manter o sangue frio, mas não tanto pela cruzada de perna cinematográfica com que ela tão gentilmente me obsequiou, mas principalmente pelo maço de notas de 100 que pôs sobre a mesa. Eu nem lembrava mais da aparência dessas notas e torci para que não fossem falsas.
- Dinheiro não é problema. - Ela disse.
Friday, May 30, 2014
O Trem Fantasma
O Trem Fantasma
Os três garotos olharam a boca do túnel escura e misteriosa com
sentimentos diferentes. Exceto pelo gordo, que se mostrava claramente
assustado, os outros estavam à vontade naquele lugar desolado. Na verdade,
estavam se divertindo com o medo dele e se preparavam para lhe dar o maior
susto de sua vida.
- Isso parece perigoso. – Disse
o garoto gordo, com voz esganiçada.
- Vai “amarelar” agora? – Disse
o magro alto, em tom de desafio.
Saturday, May 24, 2014
Elke Maravilha
Filha de um russo e uma alemã, Elke Georgievna Grunnupp veio para o Brasil com seus pais ainda criança. Eles fugiram da perseguição Stalinista, numa época especialmente conturbada no cenário Mundial. Em terras tupiniquim ela cresceu, se “tropicalizou” e se tornou Elke Maravilha.
Seus pais tinham uma boa impressão do Brasil e compartilhavam a visão idílica de um um paraíso acolhedor para imigrantes e distante das mazelas do velho mundo, como se divulgava numa Europa dividida por conflitos regionais, insuflados por regimes políticos totalitários e nacionalistas, que logo extrapolariam suas fronteiras e desembocariam na segunda guerra mundial.
Thursday, May 15, 2014
O Sonho
Ele sabia que estava sonhando, mas sentia-se como se estivesse desperto. Tão real parecia a percepção daquele lugar, que poderia jurar que estava acordado, não fosse a profusão de cores berrantes e a textura da paisagem, que parecia uma pintura surrealista. Com uma sensação contínua de perplexidade deparou-se com objetos que conhecia, mas de proporções fora do comum. Semienterrado na areia azul daquele estranho lugar jazia um relógio de bolso gigantesco. Apesar da distância, ele julgou ouvir o tic-tac contínuo e compassado do ponteiro de segundos. O ruído metálico, na sua
Sunday, May 04, 2014
O Bosque dos Lamentos
O Bosque dos Lamentos
— Veja! — Exclamou o saci,
apontando uma árvore. – Estamos entrando no bosque dos lamentos.
Era uma árvore cheia de galhos
retorcidos e de aspecto ameaçador. Atrás
dela outras árvores apareciam. Cada uma de aspecto mais sombrio que a anterior,
que dava ao bosque uma atmosfera lúgubre em plena luz do dia.
— Que árvores feias! Pensei que
ia encontrar um bosque bonito.
— Isso é só o começo. —
Respondeu Icas. — Este lugar é tenebroso e assustador, até mesmo para um saci.
— Fala sério! São apenas
árvores maltratadas pelo tempo.
— Talvez para você, que é
humana e não percebe o que se encontra além do que os olhos podem ver. Para mim
este lugar é tudo o que a lenda diz.
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