Monday, February 21, 2011

O Julgamento de Sócrates

Este sketch foi escrito por solicitação de uma turma de formandos de uma faculdade de direito. A intenção era representá-lo como parte da cerimônia de formatura. Infelizmente, por circunstâncias de tempo e recursos, a idéia foi abandonada. O texto, porém, ainda existe e aguarda uma oportunidade de sair da gaveta.

O Julgamento de Sócrates
Gilmar C. Milezzi
Personagens:
Sócrates
Meletus, o acusador
Arauto
Epistatês (Presidente do conselho e da assembléia)
Dikasta 1 (membro do corpo de jurados)
Dikasta 2
Dikasta 3
Discípulo
Carrasco


Friday, February 18, 2011

Sob o olhar das estrelas

Este roteiro foi concebido no formato do extinto programa "Você decide", da TV Globo. Eu o encaminhei na época à produção do programa, mas não obtive resposta, como acontece na maioria dessas tentativas. Apesar disso, fiquei satisfeito com o resultado e o guardei. Talvez o tranforme um dia num num roteiro para filme, ou um romance, quem sabe. Por enquanto fica aqui, à espera de um leitor interessado em roteiros.

Sob o Olhar das Estrelas
CENA 01
Plano médio
PRAIA DESERTA, Á NOITE. UM CASAL OBSERVA AS ESTRELAS, ATRAVÈS DE UMA LUNETA. A MULHER ESTÀ ABORRECIDA E QUER IR EMBORA.

Friday, November 12, 2010

Abdução em Floripa

Nos redutos mais tradicionais de Florianópolis, costuma-se dizer que o maior sonho do manezinho é um dia ver a ilha romper sua ligação com o continente e sair mar adentro, deixando para trás o restante do Brasil com todas as suas contradições.
E de tanto sonhar com isso, o manezinho acabou chamando a atenção dos deuses. E não sei se por generosidade ou ironia, ou ainda por um imenso tédio celestial, seu desejo um dia foi atendido. E como era vontade dos deuses, a ilha não apenas se desgarrou do continente, como também de todo o planeta.
Foi num dia quente do mês de março – Um sábado, para ser mais exato – logo depois de mais uma caótica temporada turística, que o céu da ilha escureceu. Em pleno meio-dia, o sol havia desaparecido por trás de um imenso objeto, que flutuava sereno sobre a cabeça dos atônitos ilhéus.

Saturday, October 16, 2010

Joaninha Banguela Capa

Estudo para capa de Joaninha Banguela, realizado por Jean Milezzi.

Wednesday, May 14, 2008

O Caso da Loura Traída - Parte um

c

Mais um dia havia se passado. Mais exatamente o 54º dia sem aparecer nenhum caso para resolver, desde que eu abri a agência particular de investigação. Não foi mole pagar aquele cursinho de detetive por correspondência, mas consegui. Fui diplomado com louvor, apesar do ceticismo e da convicção familiar de que era mais uma idéia minha fadada ao fracasso.

Wednesday, May 17, 2006

Soturno

Hoje olhei o mundo
e não me senti feliz
Havia um gosto amargo
nas lembranças de minha história

Velhas dores voltaram
de antigas perdas quase esquecidas
Espectros errantes daquilo que fui
apertam meu peito e me fazem lembrar

Buscam a vingança, eu sei
Ainda hoje se riem de meus fracassos
e de minhas patéticas tentativas de esquecer

Hoje eu não queria existir
Amanhã, talvez, venha a me condenar
frívolo e vazio.

Como é ridícula a pena de mim mesmo
O fundo, porém, me atrai
Mais do que nunca,
hoje eu não queria existir.

Friday, May 12, 2006

QUADRINHOS: A Inquietante arte de Robert Crumb

Polêmica e instigante, a obra de Robert Crumb se equilibra perigosamente nos limites da genialidade e do grotesco. Genial, porque transita do erotismo a pornografia pura e simples, ao retratar suas próprias fixações e a sua tumultuada relação com as mulheres. Tanto as que partilharam de sua vida pessoal, quanto as ativistas do Women’s lib. Em particular, as representantes do lesbianismo militante na América dos anos sessenta, entre as quais se encontrava sua própria irmã, que não o perdoava pela forma chauvinista como retratava as mulheres, geralmente opulentas e de traseiros enormes. Provocador, Crumb admitia que transcrevia para os seus cartuns os fetiches e apreensões que elas lhe provocavam. Em certa ocasião, ousou dizer que as mulheres lhe fizeram passar mais vexames do que ele as oprimiu. Sua obra, que tinha um caráter autobiográfico, mostrava suas próprias dificuldades com o sexo oposto, desde a adolescência solitária até a vida adulta. Assim, vingava-se das mulheres através dos cartuns. Em razão disso, jamais se deu ao trabalho de explicar que o seu traço apenas evidenciava – pelo exagero caricato – a realidade da condição feminina numa sociedade conservadora e hipócrita.
Um dos mais expoentes desenhistas do movimento underground americano dos anos 60 e 70, Crumb viveu intensamente a efervescência cultural e política daquela época. Participou ativamente dos movimentos contestatórios à guerra do Vietnã e das “viagens” psicodélicas embaladas pelo LSD, ao lado de figuras lendárias como Jimi Hendrix, Janis Joplin, e Charles Bukowski. Janis e Bukowski, inclusive, partilharam de sua vida pessoal e, de certa forma, contribuíram para a maneira como expressava em sua obra a visão que tinha da sociedade, no auge de sua produção como cartunista.
O primeiro personagem notável de sua carreira de cartunista foi criad
o tendo como referência o seu próprio gato, desenhado para divertir sua irmã caçula. Contudo, em que pese às características antropomórficas assumidamente inspiradas nos desenhos politicamente corretos de Walt Disney, Fritz The Cat evoluiu rapidamente, assim como os personagens que o precederam, para uma crítica ácida e feroz do sistema e da cultura americana, algo que se tornou uma característica dominante em toda a sua obra.
Da sua fase de “viagens” psicodélicas surgiram: Mister Natural, feito à imagem do velho homem sábio de barba branca. Ele tinha uma certa inclinação velhaca e irônica no seu modo peculiar de representar as questões existenciais; Mr. Snoid, um baixinho mordaz e de traços grotescos; Angelfood Mc.Spade, uma negra com cara de canibal africano e que era alvo de situações ridículas. Por esse personagem, Crumb foi acusado de racista, quando na verdade apenas expunha a forma como o homem branco anglo-saxônico se relacionava com povos de outras culturas.
Sempre coerente consigo mesmo, o cartunista nunca se sujeitou aos esquemas comerciais da indústria cultural americana. Preferia manter-se dentro do movimento underground e preservar sua liberdade de pensamento e criação. Em certa ocasião, recusou-se a desenhar a capa do álbum dos Roling Stones simplesmente porque detestava a música do grupo. Isso o marcou, embora não fosse sua intenção,
como um ícone do espírito igualitário do movimento hippie e da contracultura americana. Na verdade, ele detestava os hippies também. Sempre desafiador, costumava dizer que a única paixão verdadeira que possuía era pelo sexo, no qual reconhecia como sendo a fonte de sua obra, e também de seu tormento. Quando adolescente, sentia-se desajustado e rejeitado pelas pessoas, principalmente pelas mulheres, as quais estranhavam seu tipo esquisito e lhe impunham uma solidão atroz, que o acompanhou durante grande parte de sua vida.
Natural da Filadélfia, Robert Crumb nasceu no dia 30 de agosto de 1943. Era o terceiro de cinco irmãos e recebeu grande influência de Charles, o irmão mais velho, que costumava tiraniza-lo, obrigando-o a des
enhar cartuns incansavelmente. Nessa época, inspirava-se em Luluzinha e, mais tarde, Pogo, de Walt Kelly. No final dos anos 50 ele descobriu a revista “Mad” e o trabalho de Harvey Kurtzman. "Eu vivia, respirava e comia as páginas de suas revistas", relatou Crumb certa vez, numa entrevista.
No início dos anos 60, Crumb conseguiu seu primeiro emprego como ilustrador da American Greetings, em Cleveland, onde recebeu influência de Tom Wilson, seu editor chefe e responsável por uma evolução significativa nos seus traços. Já no final daquela década, apresentava uma produção notável, evidenciada em trabalhos volumosos em títulos como "Weirdo", "Big Ass Comics" e "People's Comics", no qual "matou" o gato Fritz.Nessa fase, que se prolongou até o início dos anos 70, a obra de Robert Crumb foi produzida com ajuda de visões provocadas pelo Ácido Lisérgico, as quais eram arrancadas dolorosamente do seu subconsciente e o forçavam a confrontar-se com seus fantasmas, que não eram poucos. Atualmente, Robert Crumb vive na França, com a mulher e a filha
.

Wednesday, May 10, 2006